sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

minha avó já me dizia

não vá minha filha. é muito longe. e eu fui. quantas vezes? eu continuo indo, sem medo. continuo de longe com a mesma certeza - não existe mundo de Malboro, nem vermelho mais sense que o do olho. é preciso ir, grandma. por baixo ou por cima. little miss sunshine. mesmo sem carro ou cavalo. mesmo sem cigarro. é preciso ver o mondo, deitar no sofá do estábulo, ver o morto, rodopiar e encontrar as pessoas, as pontes e os muros. o deserto. e também a multidão - talvez as mesmas pessoas. ver sangrar o boi, ou a virada do ano. o retrato de dorian gay, um lord sem importância. eu não deixei de ser cowboy por ela nem parei de viajar porque você queria que eu ficasse tomando sua sopa aguada. sem chororô, chuchu. temos mais, muito mais pizza, suco de cramberry + tatuagem de plexo + olfato aguçado (ou são os cheiros mais fortes desse lado?) + livros + botas - feijão ... temos de transpor a barreira, a língua, os corpos, o tijolo, os dias mornos. ver o gato, atento pelo rato, na cozinha, na onda do cheiro, com as músicas e a manteiga, os copos, as fotos - o homem e as viagens. mas aí meo, preguiça de não ter que ser eu, de levantar da cama nos dias mais nublados, de fazer sala na tua cama. de qualquer forma olhe pra cima, não tem nada no chão! no celular uma chamada não atendida. era a rotina. foi um engano. depois veio o sol. sim, é preciso acordar do sonho e passar a manteiga no pão. e ter com as peles, o vento e o repentino e tudo aquilo que faz o mundo acontecer, principalmente os laptops e os cheiros bizarríssimos (vai tente imaginar um cinzeiro mofado pregado num couro de peixe-boi). sim, eu vou dormir no night bus enquanto você fala do Obama. Hank Dorian. sim (+ os fodidos poemas do Bukowski). e vou entender no fim o que você quis dizer com tanta coisa deveras adequada para "essas alturas dos campeonatos". nem começou o jogo, why you so serious? vamos lá, se é pra ter certeza que seja com classe. chega de firulas, batman. dorian, veja o que aconteceu a narciso. vamos lá: não tem nada de futebol, darling, nem de carnaval. é verdade: brasileira paga de puta de graça. pregaram o cartão da minha bunda murcha na bandeira de um brasil que eu nunca vi tão gostoso. fala sério. explica esse negócio aí direito. tá, vou falar que nem o buk: tudo é passageiro e "você está demitido". e relaxa aí - tenho certeza que você tem um rebolado. ok, next - says the bitch, says the rich. tem a notícia e tem o silêncio das noites feitas pra sentar e escrever. deitar e escrever e ouvir e falar - como se o dentro fosse fora. e como se tudo fizesse sentido. e faz. fique calma, nem tudo precisa ser dito. sim, sempre mais escrito que dito, e mais cantado que tudo isso. vontade: a espada e o escudo. e você tem somente alguns anos para viver. não, dorian, nada, para mim, (nem você) é perfeito ou eterno. só o que está impresso, o valor das idéias e as canções do Bowie. ok baby, dont play the game all time.


I recall how we lived
On the corner of a bed
And wed speak of the swedish room
Of hessian and wood
And wed talk with our eyes
Of the sweetness in our lives
And tomorrows of rich surprise...
Some things we could do

In our madness
We burnt one hundred days
Time takes time to pass
And I still hold some ashes to me
An occasional dream

And wed sleep, oh so close
But not really close our eyes
Tween the sheets of summer bathed in blue...
Gently weeping nights
It was long, long ago
And I still cant touch your name

For the days of fate were strong for you...
Danced you far from me

In my madness
I see your face in mine
I keep a photograph
It burns my wall with time
Time
An occasional dream
Of mine



(David Bowie, An occasional dream, Space Oddity)

3 comentários:

men in moon passage disse...

e minha filha, tou loira e vc ta negra... e agora? qual e o proximo passo?

aspirina disse...

baita cheirão de beat,
tudo muito bonito.

Betina disse...

estou embasbacada com as tuas palavras. adorei.